O exato oposto
Eu queria saber colocar em palavras o que acontece nas minhas entranhas quando preciso deixar de amar alguém. É sufocante oferecer indiferença a quem, por dentro, tudo em mim ainda quer oferecer amor. Eu não sei odiar quem amo. Na verdade, não sei odiar quase ninguém. E talvez isso pareça uma fraqueza quando a vida exige que a gente se afaste, coloque limites, deixe de procurar, de cuidar, de demonstrar. Essa semana, vi um vídeo sobre como precisamos parar de oferecer nosso afeto a quem não quer recebê-lo. Salvei. Para me lembrar de fazer isso. Mas esqueci do que significa, para o meu corpo, fazer exatamente o contrário do que ele gostaria. Porque o corpo não entende muito bem essas decisões. Ele ainda quer se aproximar quando a cabeça manda recuar. Ainda quer cuidar quando é preciso deixar ir. Ainda quer dizer “eu estou aqui” quando tudo parece pedir silêncio. Talvez essa seja a parte mais difícil de deixar alguém para trás: não é apenas aceitar a ausência. É ensinar o corpo a nã...