29/03/2012

Saudades

Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
eu sinto saudades...

Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...

Sinto saudades da minha infância,
do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,
do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser...

Sinto saudades do presente,
que não aproveitei de todo,
lembrando do passado
e apostando no futuro...

Sinto saudades do futuro,
que se idealizado,
provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...

Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei!
De quem disse que viria
e nem apareceu;
de quem apareceu correndo,
sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.

Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito!

Daqueles que não tiveram
como me dizer adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vida
e que só enxerguei de vislumbre!

Sinto saudades de coisas que tive
e de outras que não tive
mas quis muito ter!

Sinto saudades de coisas
que nem sei se existiram.

Sinto saudades de coisas sérias,
de coisas hilariantes,
de casos, de experiências...

Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia
e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer!

Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar!

Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,

Sinto saudades das coisas que vivi
e das que deixei passar,
sem curtir na totalidade.

Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que...
não sei onde...
para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi...

Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades
Em japonês, em russo,
em italiano, em inglês...
mas que minha saudade,
por eu ter nascido no Brasil,
só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.

Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria,
espontaneamente quando
estamos desesperados...
para contar dinheiro... fazer amor...
declarar sentimentos fortes...
seja lá em que lugar do mundo estejamos.

Eu acredito que um simples
"I miss you"
ou seja lá
como possamos traduzir saudade em outra língua,
nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.

Talvez não exprima corretamente
a imensa falta
que sentimos de coisas
ou pessoas queridas.

E é por isso que eu tenho mais saudades...
Porque encontrei uma palavra
para usar todas as vezes
em que sinto este aperto no peito,
meio nostálgico, meio gostoso,
mas que funciona melhor
do que um sinal vital
quando se quer falar de vida
e de sentimentos.

Ela é a prova inequívoca
de que somos sensíveis!
De que amamos muito
o que tivemos
e lamentamos as coisas boas
que perdemos ao longo da nossa existência...

-Clarice Lispector

25/03/2012

Quem nunca?

Quem nunca chegou um mês atrasado? Acontece, mas um mês viram anos, e até sempre...

17/03/2012

Para aonde eu iria agora?

me peguei pensando em um hotelzinho no cantiiinho da Ilha Bela, com redes na varanda, e um laguinho com peixes, sob as pontes que davam para os quartos, lá é quase sempre assim...chuvoso, contido...calado...me pareceu tão aconchegante...dormir em uma rede, com o barulho da chuva e da água correndo no lago...em que mais se pensa se não no instante?!

e o que se tem a fazer é aprender que...


há certas coisas quem enquanto machucam, curam.

16/03/2012

As coisas não vão bem?!


Follow the yellow brick road.

11/03/2012

oi?

você não me deve nada, mas eu me devo alguma coisa.

08/03/2012

eu tô

sufocando. Eu não sei o que há. Dá, de verdade, vontade de mandar parar o mundo pra que eu possa descer; não encontro meu canto, fico nervosa, arrepiada (de nervoso), ando sem rumo, e as vezes queria andar mais só pra ver se chego a algum lugar. Parece que está tudo certo mas não está, falta uma cabeça em cima do meu pescoço, mas eu a esqueci em algum lugar. Eu preciso me concentrar, eu já nem durmo mais. Eu preciso parar (...)

05/03/2012

Ah...

um colo pra me afundar, pra despejar tudo que tenho em mim. Um colo livre de observações, alheio a opiniões, sem julgamento...um colo vivo de amor, de aconchego, de "estar", mas que seja calado como um travesseiro, pronto pra receber as lágrimas, como a terra recebe a chuva.

Confesso.

eu sempre espero que tomem as minhas decisões por mim, que se resolva do lado de fora e eu administre por dentro, quanto menos eu me envolver comigo mesma, melhor. Mas ouvi hoje que resolver seus próprios problemas faz parte "do crescer". E agora? Como crescer? Já é difícil sem.

"Ah...

...coração meu engano
Foi esperar por um bem
De um coração leviano
Que nunca será de ninguém."

03/03/2012

e se,

eu morrer de saudade?!

01/03/2012