Dez anos depois...
Eu volto.
E voltar pra cá tem gosto de nostalgia, mas também de fechamento, não como fim, mas como quem vira a página sem precisar rasgar o que veio antes.
Ler a antiga Camilla me atravessa de um jeito estranho.
Um pouco de vergonha, um pouco de orgulho.
Vergonha da imaturidade, da melancolia, embora, se eu for honesta, ela ainda me habite.
Orgulho da coragem, de me expor para todo mundo e para ninguém, sem método, sem estratégia, sem compromisso com constância. Só porque sentia...e escrevia.
Em algum momento, eu parei.
E hoje eu consigo admitir: parar de escrever foi uma forma de não me encontrar.
De não precisar olhar para partes minhas que eu não queria sustentar.
A vida seguiu.
Eu me tornei muitas versões de mim mesma, algumas mais distantes do que eu imaginava ser possível.
Fui feliz, fui triste, como qualquer pessoa.
Mas, no caminho, me traí mais vezes do que gostaria de reconhecer.
Criei justificativas boas, coerentes, aceitáveis para mim e para os outros.
Mas a sensação de insuficiência só crescia.
Porque, quando a gente se afasta de quem é, a gente também se afasta do próprio respeito.
E, sem perceber, começa a aceitar do outro o que nunca deveria.
Hoje eu tenho 36 anos.
Sou divorciada. Tenho um filho de quatro anos que é, sem exagero, o que me ancora na vida.
Vivo do que um dia sonhei viver.
Mas também estou construindo outros caminhos, tentando encontrar mais estabilidade por ele e por mim.
E agora eu tento fazer as pazes.
Com quem eu fui,
com quem eu me tornei,
com quem eu ainda não sei ser.
Talvez escrever seja o começo.
Comentários